Cerrado perde área equivalente a três cidades de São Paulo por mês em 2025
O Cerrado, o bioma mais ameaçado do Brasil e um dos mais ricos em biodiversidade do planeta, perdeu em média 4.800 km² de vegetação nativa por mês nos primeiros cinco meses de 2025, segundo dados preliminares do MapBiomas. Para ter uma ideia da dimensão: é como se três cidades do tamanho de São Paulo desaparecessem todo mês sob o avanço da soja, do milho e da pecuária.
O número é preocupante porque representa uma aceleração em relação ao mesmo período de 2024, quando a taxa mensal média foi de 4.200 km². Especialistas atribuem o aumento a uma combinação de fatores: alta dos preços das commodities agrícolas no mercado internacional, que estimula a expansão das fronteiras agrícolas, e fragilidades na fiscalização ambiental em estados como Mato Grosso, Bahia e Piauí.
Por que o Cerrado importa
O Cerrado cobre cerca de 22% do território brasileiro e abriga mais de 5% de toda a biodiversidade do planeta. É o berço das principais bacias hidrográficas do Brasil — Amazônica, do São Francisco, do Paraná e do Tocantins — e regula o regime de chuvas de grande parte do país. Sua destruição não afeta apenas as espécies que vivem lá: afeta a disponibilidade de água para cidades e para a agricultura em todo o Brasil Central.
"O Cerrado é o berço das águas do Brasil. Quando você destrói o Cerrado, você não está apenas destruindo plantas e animais. Você está comprometendo a água que vai chegar nas torneiras das cidades daqui a 20 anos."
Os acordos que não funcionaram
Em 2023, o governo federal firmou acordos com associações de produtores rurais dos estados do Cerrado para reduzir o desmatamento em 30% até 2025. Os dados de 2025 mostram que o objetivo não foi alcançado — na verdade, o desmatamento aumentou. As associações rurais contestam os dados e afirmam que a metodologia do MapBiomas superestima as perdas.
A Visão Clara solicitou acesso aos dados brutos do MapBiomas e contratou dois especialistas independentes para verificar a metodologia. A conclusão foi que os dados são confiáveis e que o desmatamento está, de fato, acelerando.